Prefácio - Sergio Seibel


Ações Redutoras de Vulnerabilidade: aproximando sentidos entre educação e prevenção ao uso nocivo de drogas.
Sergio Seibel

Bem vindo a este “Ações Redutoras de Vulnerabilidade”. Trata-se da transformação em livro de um alentado estudo acadêmico que culminou na tese de doutorado do Autor no setor de Pós-Graduação em Psicologia da Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo no setor de Pós-Graduação em Psicologia da Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Este belo trabalho inicia contextualizando o modelo proibicionista, iniciado no século XIX por entidades religiosas e moralistas norte-americanas – os movimentos pela temperança, mais tarde expandido às demais substâncias, as assim chamadas drogas ilícitas, como maconha, ópio e derivados e cocaína.
Em seguida, apresenta e traz criticamente, não apenas um questionamento dos diversos modelos de prevenção ao uso de drogas existentes no Brasil, justificando e defendendo um deles, o que o Autor denominou “Prevenção que Convive com as Diferenças”, utilizando-se do conceito de vulnerabilidade e dos pressupostos da estratégia de Redução de Danos relacionados ao consumo de substâncias psicoativas, a partir da compreensão de homem e de mundo através da postura fenomenológico-existencial.
Controvertido e polemico pela natureza própria de suas múltiplas interfaces, aquilo que se convencionou chamar de “prevenção ao uso de drogas” não deixa de ser uma medida de saúde pública, inserido no contexto da educação sanitária que permite alcançar uma extensa população vulnerável a práticas e condutas de risco quanto ao consumo de substâncias psicoativas. E, ao mesmo tempo em que falamos em populações vulneráveis ao consumo de substâncias, estamos nos referindo ao impacto não apenas pessoal das drogas sobre o organismo, mas principalmente das conseqüências sociais por elas provocadas.
Finalmente, se inicia um consistente movimento da produção acadêmica brasileira com preocupações importantes na área da saúde pública, preenchendo uma brecha, qual seja a de dar embasamento teórico-prático aos formuladores de políticas públicas e privadas na área da educação para a saúde, tão necessitada de intervenções pragmáticas e dotadas de racionalidade científica, área ainda tomada por discussões apaixonadas e emocionais, que acabam por servir de caldo de cultura para a disseminação de preconceitos de toda ordem. Este livro constitui leitura útil, obrigatória para professores de todos os cursos que se preocupem não apenas com o que se passa em sala de aula, mas principalmente fora dela, pois trás lições valiosas para ensinarem a seus alunos sobre a possibilidade de se fazer escolhas mais livres e criticamente conscientes.

* Psiquiatra. Pesquisador-associado do Departamento de Medicina Legal, Bioética e Saúde Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.