domingo, 6 de novembro de 2011

"Alternativas de políticas proibicionistas das drogas e redução de danos"

Caros amigos,

indico a mesa redonda "Alternativas de políticas proibicionistas das drogas e redução de danos"
mediadores: Marcelo Glerean Melissopoulos e Guilherme Bigi Makansi
palestantes: Prof. Dr. Marcelo Sodelli (PUC-SP) ; Konstantin Gerber ( Mestre em Direito); e Edson Passetti (sociólogo, professor na PUCSP)
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local: PUC-SP - auditório 333
dia: 09/11 (quarta-feira)
horário: 10:00 as 12:00hs

terça-feira, 28 de junho de 2011

Drogas: entre o Tabu e a Ciência

          Este último mês de junho foi marcado por uma avalanche de notícias, textos e programas que apresentavam diferentes visões sobre o fenômeno de uso de drogas. A forte presença deste assunto na grande mídia pode ser entendida como uma resposta a dois acontecimentos: a polêmica levantada pelo documentário “Quebrando o Tabu” e, mais recentemente, pela decisão favorável do STF em relação a realização da marcha da maconha.  Nesta esteira, devemos estar atentos para não aceitarmos passivamente o que, por muitas vezes, é apresentado na mídia como ciência (verdade absoluta) e, além disso, dos desdobramentos que são retirados desta última.
É importante sempre considerarmos que se fosse possível praticar uma ciência neutra e imparcial o rumo da humanidade estaria em outra direção, já que a “verdade” se mostraria com todo vigor e não teríamos como negá-la. Mas justamente por ter o caráter de provisoriedade, até mesmo de perspectiva, devemos sempre colocar o conhecimento científico em discussão, se posicionando de maneira crítica. É fundamental buscar aproximar o conhecimento científico da realidade vivida. É para isso que existem, por exemplo, os congressos científicos; lugar onde o conhecimento é exposto, explorado e re-pensado por outros estudiosos. Assim o conhecimento pode avançar na sua temporalidade de desconstrução e construção.
            O que sabemos sobre o fenômeno do uso de drogas? Sabemos muito ou pouco? Talvez o mais importante: o que sabemos serve de orientação para o quê? Para quem?
            Primeiro o mais óbvio; as drogas existem. Até onde sabemos não existiu civilização humana que não tenha feito algum tipo de uso de drogas. Entretanto, sabemos, também, que os modos e os padrões de uso  vêm  se modificando ao longo da história. O uso de drogas não pode ser entendido somente por meio da relação dual entre a substância psicotrópica (droga) e o usuário (ser humano). Forçoso é admitir que o meio (entende-se o mundo histórico e fático) tem um papel fundamental na construção/desdobramento deste acontecimento. Por isso, promover esta discussão considerando somente os aspectos farmacológicos ( o que muitas vezes é o que é apresentado pela grande mídia) é fazer um perigoso reducionismo, ou seja, seria como olhar só para uma pequena parte da questão, negando sua complexidade.
            Um exemplo concreto e atual seria o debate sobre o uso da maconha. Os que se posicionam invariavelmente contra a possibilidade de uso desta droga tentam argumentar trazendo a baila parte de alguns aspectos farmacológicos, sempre apresentados como se fosse verdade absoluta: o uso da maconha é sempre prejudicial, pois esta é uma substância psicotrópica nociva à saúde. Ora, se isto fosse verdadeiro em todos os casos, quer dizer, em todas possibilidades de uso desta sustância, como poderíamos entender a decisão de alguns países europeus, como também de mais de dez estados norte americanos (isto mesmo, nos Estados Unidos), do governo fornecer maconha para pacientes de algumas doenças específicas, por exemplo, doentes de AIDS, esclerose múltipla, câncer no estômago etc.?      
            Outro argumento que está sendo repetidamente utilizado pela grande mídia, como se fosse uma verdade indiscutível, é que o uso de qualquer droga psicotrópica altera a capacidade de decidir. Neste caso não é preciso recorrer a outros estudos científicos para rapidamente percebermos a parcialidade e supervalorização de apenas um possível aspecto do fenômeno do uso de drogas. Sabemos que drogas psicotrópicas são todas as substâncias que alteram o funcionamento do nosso sistema nervoso central (nosso psiquismo). Ou seja, as drogas ilícitas (maconha, cocaína etc), mas também a lícitas; o álcool, o tabaco, os remédios (barbitúricos, benzodiazepínicos, anticolinérgicos, morfina etc.). Então, pergunto, é verdade mesmo que o uso de drogas sempre altera a capacidade de decidir?  Será que, por exemplo, qualquer uso do álcool ou de algum remédio psicotrópico altera a capacidade de decidir? Claro que não. Não existe apenas “uso de drogas”, mas sim, modos de uso de drogas. E a justamente por isso que a mera proibição ou mera legalização não dá conta deste fenômeno. Precisamos aprender a lidar com as drogas. Avancemos mais; isso seria feito de uma forma mais humana e menos danosa para a sociedade se conseguíssemos regulamentar os possíveis modos de uso de uma substância psicotrópica. Cabe perguntar se o modelo predominante, conhecido como a postura proibicionista, está conseguido alcançar o seu maior objetivo: controlar (ou mesmo erradicar) o uso de drogas? Será que este modo de controle ( e não de regulamentação) não promove um descontrole ainda maior em relação as drogas?
            A palavra principal aqui é “regulamentar” e não preconizar o controle por meio de uma mera proibição que no mundo vivido é experimentada com uma liberação banalizada do uso de drogas. Tenho a percepção que é mais fácil comprar drogas ilícitas nas ruas do que comprar um antibiótico nas farmácias.
            O uso do álcool é um bom exemplo de que seria regulamentar. Claro que falta muito para termos uma relação menos danosa com esta droga (redefinir as estratégias de marketing, de efetivar a restrição para menores etc.), mas a forma de regulamentação desta droga é um interessante caminho para começarmos a pensar em relação as outras drogas.
            Concordamos com o argumento que falta prevenção. Porém, não de uma prevenção de guerra as drogas; diga não as drogas não é prevenção, é apenas negação de uma possibilidade que sempre fez, faz e, ao que tudo indica, continuará a fazer parte do nosso mundo. Precisamos de uma prevenção que atenda a complexidade do fenômeno de uso de drogas. Uma prevenção que abarque a vulnerabilidade humana, que busque sempre diminuir os riscos, o que ao nosso ver conjuga a abordagem de Redução de Danos, ou mais especificamente o trabalho de ações redutoras de vulnerabilidade.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Unânime, STF libera a Marcha da Maconha

Veja a matéria da revista carta capital que fala sobre a decisão do STF em elação a marcha da maconha


http://www.cartacapital.com.br/politica/stf-libera-a-marcha-da-maconha

Sem dúvida, um importante passo para a discussão mais ampla  e séria da questões do uso de drogas, em vez da ineficaz proibição.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Fernando Henrique defende regulamentação da maconha e causa polêmica"

Assista a reportagem que passou no Fantástico (tv globo), no último domingo dia 29/05/2001, sobre o novo filme chamado "Quebrando o tabu".

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1663389-15605,00-FERNANDO+HENRIQUE+DEFENDE+REGULAMENTACAO+DA+MACONHA+E+CAUSA+POLEMICA.html

O filme parece ser bastante interessante e vai estrear na próxima sexta-feira.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Crack e Oxi: entrevista com Prof. Carlini e Profa. Luciana Boiteux na Globonews

Assistam a excelente entrevista na Globonews do Prof. Carlini (UNIFESP/ABRAMD) e Profa. Luciana Boiteux (Psicotropicus) que discutem com profundidade a entrada da nova droga Oxi no Brasil, droga esta semelhante ao crack, já que também é produzida a partir da cocaína.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1489486-7823-XI+E+A+NOVA+DROGA+QUE+INVADE+O+PAIS,00.html




sábado, 12 de março de 2011

Uso de Drogas: é possível prevenir?

Cada vez que começo um novo trabalho na área de drogas sempre sou questionado: é possível realmente fazer a prevenção ao uso de drogas?  Embora esta pergunta seja corriqueira e até simples, uma resposta rápida e apressada pode não explicitar a alta complexidade que envolve este fenômeno.
Ora, esta pergunta só pode ser feita porque a área de prevenção vem falhando. Na verdade, não é bem a prevenção que está falhando, mas sim, a abordagem preventiva mundialmente conhecida como "Guerra às Drogas", aquela que preconiza o slogan "não use drogas" e que tem como objetivo principal promover a abstinência. Quer dizer, se trabalhar a prevenção se resume em falar para as pessoas que as drogas são perigosas, que fazem mal à saúde, que quem usa é uma pessoa desajustada ou doente, então, podemos concluir que a prevenção é uma missão impossível.  
O trabalho de prevenção ao uso de drogas não pode ser compreendido de modo binário, como se o uso de drogas fosse um fenômeno igual a uma doença que você pode ou não ter. Ou seja, pensar a prevenção de modo dualista, como se existisse no mundo apenas o não usuário e o usuário de drogas, é dimensionar a problemática do fenômeno do uso de drogas para um paradigma irreal.  Nesta abordagem a prevenção falha porque não lida com o fenômeno ôntico e seus desdobramentos no mundo vivido.
Por outro lado, a abordagem de Redução de Danos por ter nascido da experiência concreta com os usuários de drogas apresenta um novo horizonte: as drogas não são tomadas como boas ou más em si-mesmas ( a questão não se limita em usar ou não),  o fundamental agora é compreender a relação entre o ser humano e as drogas. Fica evidente nesta abordagem que o uso de drogas faz parte da história humana e que pensar em erradicar o consumo de substâncias psicoativas é buscar o impossível. Assim a proposta desta abordagem não é de acabar com o uso de drogas, mas sim, aprender a lidar com as drogas.
Logo, a nossa pergunta inicial deve ser respondida com um grande sim; é possível fazer a prevenção. Entretanto, a prevenção deve ser pensada numa nova perspectiva, mais coerente com a abordagem de Redução de Danos: o trabalho preventivo não seria exatamente de "prevenção ao uso de drogas", mas de "prevenção ao uso de risco e de dependência de drogas".  
        

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A abordagem proibicionista em desconstrução: compreensão fenomenológica existencial do uso de drogas

O presente artigo pretende, por meio do pensamento da fenomenologia existencial, desconstruir o modelo proibicionista ao uso de drogas. Ao compreender o homem como um ser inacabado, sempre entregue ao seu próprio cuidado, o estudo caminhará na direção de demonstrar a incompatibilidade dos objetivos proibicionistas com o modo singular de ser do homem. Demonstraremos que é a própria condição existencial do homem que gera o que nomearemos como “vulnerabilidade existencial”, condição esta impossível de ser modificada. Com efeito, argumentaremos que qualquer abordagem preventiva que tenha como princípio fundamental erradicar o uso de drogas já estaria fadada ao fracasso. Fundamentando-nos ainda neste posicionamento, rejeitaremos a compreensão proibicionista que o “uso de drogas” é sempre e invariavelmente um comportamento desviante (patologia). Por fim, o estudo aponta para a importância do desenvolvimento de uma nova abordagem preventiva que absorva de modo integral a singularidade da condição humana (vulnerabilidade existencial), rompendo definitivamente com os preceitos proibicionistas, a saber, a abordagem de redução de danos.
Leia artigo na integra. Clique aqui

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Marcelo Sodelli em videoconferência sobre "Prevenção ao uso de drogas" - 09/09/2010

Para fortalecer a capacidade da escola no enfrentamento de questões como o uso de drogas, a FDE realizou VC no dia 09/09/2010. A Secretaria de Estado da Educação tem se preocupado em transformar o sistema educacional em um sistema democrático capaz de promover a aprendizagem bem-sucedida, geradora de inclusão social. Assim, a escola é vista como um espaço decisivo na contribuição para a formação de uma consciência crítica e no desenvolvimento de práticas direcionadas ao respeito à diversidade e aos direitos humanos, garantindo oportunidades efetivas de participação de todos, nos diversos espaços sociais. Nessa direção, a Gerência de Educação e Cidadania – GECI aprimora e fortalece suas estratégias de ações em um modelo de cultura preventiva às DSTs, HIV/Aids, ao uso indevido das drogas e a situações de violência instaladas no cotidiano das escolas.O Departamento de Educação Preventiva, parte desta Gerência, realiza a videoconferência Uso de Drogas e Prevenção para ampliar a capacidade da escola no enfrentamento dessas questões. Com isso, espera contribuir para que os educadores se apropriem de fundamentos teóricos acerca do tema e de procedimentos adequados que assegurem a escola como instituição formadora. Os videoconferencistas são: Edison de Almeida, chefe do Departamento de Educação Preventiva – FDE/DPE/GECI/DPV; Deisi Romano, técnica pedagógica – FDE/DPE/GECI; e Marcelo Sodelli, psicólogo e especialista em Psicologia da Educação. A videoconferência foi transmitida também por streaming pelo site da Rede do Saber (www.rededosaber.sp.gov.br).

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O professor e a prevenção ao uso abusivo de drogas na escola


Quando escrevemos sobre a questão do uso abusivo de drogas na escola, sempre corremos alguns riscos inevitáveis de sermos considerados muito conservadores ou muito liberais. Isso é um fato importante para começarmos a compreender a problemática do uso abusivo de drogas na escola. Ou seja, de que lado você está? Do mocinho (que nunca usa droga) ou do bandido? Historicamente, a questão das drogas vem sendo compreendida de uma maneira dualista, o Bem e o Mal, o certo e o errado. A partir desse conceito, os programas de prevenção priorizam a abstinência total ao uso de drogas, o que hoje é representado pelo “Diga não às drogas”. Assim, esse tipo de programa preventivo pretende, em última análise, “informar e formar” pessoas para que nunca experimentem qualquer tipo de drogas.
Leia texto na íntegra. Revista Profissão Mestre. Clique aqui